Secretaria de Educação do governador bolsonarista Jorginho Mello mandou as instituições tirarem nove obras de circulação
A secretaria de Educação de Santa Catarina, do governador bolsonarista Jorginho Mello, mandou as escolas do estado retirarem nove obras de circulação de suas bibliotecas.
O ofício enviado às instituições na terça-feira não traz as razões da determinação, mas diz que a gestão vai enviar novas orientações em breve. "Determinamos que as obras listadas abaixo sejam retiradas de circulação e armazenadas em local não acessível à comunidade escolar", afirma a nota.
Entre os livros banidos estão "It: A coisa", de Stephen King, "Laranja Mecânica", de Anthony Burgess, e "Exorcismo" de Thomas B Allen, três clássicos da literatura fantástica. Veja as outras obras colocadas na lista negra:
- A química entre nós (Larry Young e Brian Alexander)
- Coração satânico (William Hjortsberg)
- Donnie Darko (Richard Kelly)
- Ed Lorraine Warren: demonologistas - arquivos sobrenaturais (Gerald Brittle)
- Exorcismo (Thomas B. Allen)
- It: a coisa (Stephen King)
- Laranja Mecânica (Anthony Burgess)
- Os 13 porquês (Jay Ascher)
- O diário do diabo: os segredos de Alfred Rosenberg, o maior intelectual do nazismo (Robert K. Wittman e David Kinney)
Procurado, o governo catarinense não respondeu. O PSOL de Santa Catarina denunciou o caso ao Ministério Público e estuda outras medidas judiciais para impedir a retirada de livros. Em nota, o partido afirma que "se trata de uma censura grave, e é mais um sintoma da agenda ideológica do governo Jorginho Mello, que se mostra antidemocrática e autoritária".
Governantes conservadores têm feito investidas contra obras literárias nos últimos anos. No Rio de Janeiro, o então prefeito Marcelo Crivella determinou o recolhimento do HQ "Vingadores: a cruzada das crianças" da Bienal do Livro de 2019.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Crivella afirmou que a HQ de super-heróis tinha "conteúdo sexual para menores". Dois dos personagens da saga são namorados e aparecem se beijando em um painel — o livro tem 264 páginas. No vídeo, Crivella dizia: "Portanto, a prefeitura do Rio de Janeiro está protegendo os menores da nossa cidade."
O movimento de censura tem ganhado força especialmente nos Estados Unidos desde a eleição de Donald Trump em 2016. Um levantamento da American Library Association (ALA) de março deste ano indicava que o país recebera 1.269 solicitações de banimento de livros no último ano, em particular a obras referentes à comunidade LGBT+ ou pessoas não brancas.
O total de 2022 chegou a 2.571, frente 713 em 2021 e 156 em 2020 — uma escalada exponencial. A associação, criada há 140 anos, passou a compilar os pedidos de censura pelo volume que a demanda teve nos últimos anos.
Fonte: O GLOBO
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